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Recortes de jornais.





A escuridão do céu noturno cortado pelo brilho do luar que entrava em minha janela e iluminava meu pequeno quarto, meu pequeno refugio. Com a luz do luar já era possível distinguir a mobília, sua localização e suas cores, dava para ver que meu refugio era onde eu me sentia bem, pois era o único lugar em que tudo era do meu jeito, sem mão de ninguém ali no meio, apenas o meu gosto, as minhas coisas. Podiam ser poucas, mas eram minhas.


Podia ver uma cama, um tanto bagunçada com a colcha branca com pequenos detalhes em roxo, ao seu lado uma quase invisível mesinha de cabeceira. O chão coberto por carpete branco, as paredes também brancas. Podia-se ver uma pequena estante improvisada, cheia de livros das mais belas e diversas histórias. Encostado a uma parede, perto da janela de moldura branca, uma pacata escrivaninha, bagunçada para quem visse, mas para mim estava tudo em seu devido lugar, ali estavam escritas das mais diversas histórias, dos mais diferentes poemas e dos mais tristes dramas, ali, naquela escrivaninha era onde eu me encontrava, onde eu desabafava, onde eu passava horas e horas escrevendo. E também ali, naquela pequena escrivaninha, soterrado entre folhas e mais folhas de papeis, uma maquina de escrever, das bem antigas que tocam um sininho ao trocar de linha, era aquela a minha arma, a minha melhor amiga, a que sabia de tudo sobre mim, a que registrava cada momento meu.


Nas paredes, estavam cheias de recortes de jornal indistintos, com figuras e letras, havia também um mural onde estavam algumas fotos, alguns recortes de revistas e vários desenhos, simples e coloridos.


E o último item daquele quarto era um simples guarda roupa, branco e pequeno com as portas fechadas.


Ali havia sido meu refugio por dias, não saia de lá para lugar algum, apenas para ter meus momentos humanos que seriam me alimentar, fazer minhas necessidades e minha higiene. Apenas isso, havia deixado de ir ao mercado por medo de quando eu voltasse você estivesse esperando por mim em meu refugio. Eu queria de tudo, menos de você.


Eu sabia que isso era impossível de acontecer, mas algo em mim dizia que você iria voltar, eu queria que fosse assim. Mas se eu aceitasse isto, seria o mesmo que aceitar que você realmente partiu.


Quatro messes se passaram e nada de noticias suas, nestes quatro messes fiquei trancada em meu refúgio esperando por ti.


Um dia acordei desnorteada, não lembrava quem era, onde estava, nem o que queria, só sabia que eu esperava por algo, por alguém sem saber ao certo quem. Assustada por não saber onde estava, por não reconhecer aquele lugar, que um dia havia sido meu refugio, agora não passava de um simples quarto cheio de lembranças. Olhei para os desenhos, retratavam o passado, havia um de nós dois. Seguido de um que retratava um acidente, e outro de mim só. Nos estranhos recortes de jornais, li um a um. Eram colunas, colunas escritas por mim que retratavam desde o dia em que te conheci até quando entrei em transe por você ter saído de minha vida. Li atentamente cada uma, prestando a atenção em cada palavra, em cada letra. Um parágrafo fez algumas lagrimas escorrerem de meus olhos "Estávamos ele e eu, voltando de uma festa. O clima estava tenso entre nós dois, ele havia bebido demais, e havíamos brigado por lá. Nós dois gritávamos, mas na realidade nenhum se escutava, entre gritos e lagrimas não notamos que o sinal havia fechado, atravessamos a rua quando um caminhão se aproximou. E é só disto que me lembro. Não sei quanto tempo depois, acordei em uma cama de hospital, perguntei por ti, mas ninguém me respondeu. Já havia entendido, você havia partido e me deixado aqui. Ao menos de uma coisa me lembrei, que quando o caminhão se aproximava em alta velocidade eu disse para ti as três mais belas palavras eu te amo e você disse o mesmo para mim."


Quando me dei por mim, meu rosto já estava completamente molhado de tantas lágrimas que escorreram, olhei para o lado e vi você. Esfreguei meus olhos, aquilo não podia ser real, quer dizer, você estava morto. Aproximei-me de ti, estiquei minha mão até a tua, você fazia o mesmo, e foi neste toque em que vi que eu finalmente estava onde eu devia estar. Junto a ti em meu antigo refugio.

9 comentários:

Nati Pereira disse...

Aproximei-me de ti, estiquei minha mão até a tua, você fazia o mesmo, e foi neste toque em que vi que eu finalmente estava onde eu devia estar. Junto a ti em meu antigo refugio.
beem que poderia ser assim para sempre *-* beijos

Anônimo disse...

Passei por aqui. O_O

Kages (: disse...

Vou dizer a mesma coisa que disse pra Fernanda, eu não gosto muito desse tipo de texto mas até que ficou bom, continue assim gorda G_G

Anônimo disse...

Ali havia sido meu refugio por dias, não saia de lá para lugar algum, apenas para ter meus momentos humanos que seriam me alimentar, fazer minhas necessidades e minha higiene. Apenas isso, havia deixado de ir ao mercado por medo de quando eu voltasse você estivesse esperando por mim em meu refugio. Eu queria de tudo, menos de você.

AMEI *-*

Puff disse...

Tipo, PERFEITO. eu sou sua fã *.*

dark angel disse...

muito bom
amei o texto

Anônimo disse...

foda demais amor ♥

Carool ' disse...

amr'
Perfeitaço, fikei sem palavras *-*

viver e não ter a vergonha de ser feliz ♫ disse...

Ameeeei *-* tah de mais xD